quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Poesias de Manoel de Barros


A ciência pode classificar e nomear os órgãos de um sabiá mas não pode medir seus encantos. A ciência não pode calcular quantos cavalos de força existem nos encantos de um sabiá. Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar: divinare. Os sabiás divinam.

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Um girassol se apropriou de Deus: foi em Van Gogh.



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Gosto de brincar com as palavras, tenho preguiça de ser sério...quando crescer vou ficar criança. Poetas e tontos se compõem com palavras. O que não sei fazer desconto nelas. Aonde não estou, as palavras me acham.

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Para compor um tratado sobre passarinho é preciso, por primeiro, que haja um rio com árvores e palmeiras nas margens. E dentro dos quintais, que haja pelo menos goiabeiras. E que haja, por perto, brejo e iguarias de brejo.

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A presença de libélulas seria uma boa... O azul é muito importante na vida dos passarinhos porque, antes de ser belos, eles precisam ser eternos. Eternos que nem uma fuga de Bach.

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Poeta é um ente que lambe as palavras e depois alucina. No osso da fala dos loucos há lírios. Poesia está guardada de palavras.

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O meu fado é não saber quase tudo. Sobre o nada eu tenho profundidades.

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Poderoso não é aquele que descobre ouro. Mas o que descobre as insignificâncias... Por esta sentença me elogiaram de imbecil. Fiquei emocionado e chorei. Sou fraco por elogios.

3 comentários:

Shirley disse...

Belle, eu acho que já posso cpelo menos começar a pensar em algum tratadopara os passarinhos: eu tenho uma enorme goiabeira no meu quintal - falta só o brejo e as coisas do brejo... rs. Manoel de Barros é tudibom, né? ;-) Bjo, querida!

Lelli Ramz disse...

Oi querida...

q coisa linda cada beleza da natureza... cada palavra de MAnoel..

bjinhus, flores e encantos

Lelli

Larica disse...

Grande... todas as palavras! òtimas seleções de poemas, Isa!

bjs